quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Game Review - Street Fighter II

Chegou o grande dia! Finalmente farei o review de Street Fighter 2: talvez o mais influente game de minha geração! O jogo foi a grande aposta da Capcom nos anos 90, tendo rendido dezenas de versões se contarmos cada console lançado.

O jogo surgiu em 1991 em continuação ao quase fracassado Street Fighter e revolucionou o modo de se pensar em jogos de luta. Não foi o mais original, mas, em compensação, todos os jogos que vieram depois pareciam ou eram baseados em sua jogabilidade. Nesse quesito, aliás, houve a mais sentida melhoria com relação ao antecessor. Com os 8 lutadores originais, os golpes saiam direitinho e redondinhos e a coisa ainda melhorou com o poder de aquisição dos chefes do jogo e posteriormente dos 4 novos lutadores.



O sucesso do jogo fez com que surgissem novos pacotes com melhorias e eles foram ao todo 4: Champion Edition, com a inclusão dos chefes; Turbo, com ajustes no balanceamento, novos golpes e cores; Super SF2, com nova engine gráfica/ sonora, novos lutadores e mais golpes e Super Turbo, com ainda mais golpes, super especiais e um lutador secreto. Ainda houveram versões recauxutadas como a dos piratas, com montes de fireballs enchendo a tela, troca de lutador durante a luta e golpes com alcance super extendido, mas irei focar nas 5 versões básicas.




Mais coisas também atraíam os jogadores: o carisma inegável dos personagens combinado com estilos de luta bem definidos e conhecidos, a física atraente e sofisticada para um 2D, os cenários super detalhados que, em meio a clichês, passavam uma ótima sensação de viagem ao redor do mundo.

Mas quando sai o 3?

Street Fighter 2 já nasceu consagrado, sendo responsável pela venda de mais de 80% dos exemplares de revistas de gamens da época, mas à medida que o tempo ia passando, a dúvida quanto ao lança mento da sequência ia aumentando. A Capcom recauxutou e espremeu o quanto pode do jogo e com isso manteve os fãs ao mesmo tempo enfurecidos e esperançosos.


Acima: última versão de SF2 lançada, Turbo Remix, em 2008

Já pelo ano de 96 haviam lançado várias versões de Mortal Kombat, King of Fighters, Fatal Fury e outros bons jogos no estilo e a Capcom se recusava a avançar um dígito no seu grande título. Chegou a lançar uma nova linha temporal de sucesso com a série zero/alpha, mas apesar do estilo e jogabilidade novos e muito bons, não era o que se esperava.


SF Alpha era bom, mas não era 3...

Só em 1997 foi lançado Street Fighter 3, mas a expectativa criada foi grande demais e os concorrentes haviam se atualizado tão bem, que o jogo não empolgou. SF2 havia sido requentado por tempo demais e a paixão dos fãs havia se dispersado. SF3 ainda teve outras duas chances de se redimir - hoje considero-o um jogo muito bom - mas ainda vou falar mais dele em outro review.

Amor à primeira vista

Conheci SF2 uma vez que fui à escola, em 1991, no Méier (RJ) e parei num flipper por lá, já que havia chegado muito cedo. Havia uma quase multidão em frente a uma máquina e, claro, fiquei curioso. Quando consegui enxergar, vi um jogo muito mais colorido e animado que a média dos jogos de lá. Poucas pessoas conheciam os golpes, então, naquele esquema de voadora com chute forte/ rasteira a rotatividade de pessoas botando contra era imensa. Só era uma pena que já naquela época o pessoal só jogava com Ken ou Ryu.

Imagine a cena acima com mais de 10 pessoas na frente da máquina de Street... pois é...

Fiquei lá parado, babando por quase duas horas... não tinha dinheiro nem coragem pra disputar e já havia perdido 2 tempos de aula. Os garotos aplaudiam e torciam a cada golpe difícil acertado. As disputas eram realmente emocionantes, com grandes reviravoltas. Passei a chegar ainda mais cedo e bater ponto no tal flipper. Fiquei fissurado ao saber que cada lutador tinha um final próprio... queria ver todos os finais! A partir daquelas idas, o flipper virou meu passatempo favorito e Street Fighter virou algo comum em meu cotidiano.

A fissura só diminuiu quando, dois anos depois, ganhei meu Megadrive e pude disputar aquelas lutas fantásticas no conforto do meu lar e na hora em que quisesse... claro que não fiz só isso da vida. Tinha meus amigos e minhas obrigações, mas meus momentos de diversão eram em boa parte dominados por esse fantástico jogo

Minha nota:

SF2, SF2CE, SF2T

Gráficos (x2)
9,5
Som
8,5
Jogabilidade (x4)
9,5

Nota final
9,36/10

Levo em consideração a época do lançamento. Então, não haviam jogos à altura, inclusive em termos gráficos

SSF2, SSF2T

Gráficos (x2)
8,8
Som
9,5
Jogabilidade (x4)
10

Nota final
9,59/10

A adição de golpes e personagens tornou a jogabilidade perfeita, mesmo para os dias de hoje. Os gráficos melhoraram, mas já estavam superados pelos lançamentos da SNK e MK2

sábado, 31 de dezembro de 2011

O disco da minha geração

Não poderia fechar o ano sem falar do CD que foi o maior influenciador do Rock e dos jovens de minha geração: o álbum "Nevermind", do Nirvana, completou neste ano 20 anos. Apesar de ser considerado a constituição do movimento grunge, muita coisa boa havia sido lançada antes, como Mudhoney (esses sim fundadores do movimento), Temple of the Dog (que daria origem a Pearl Jam e Soundgarden ainda antes do estouro do Nirvana) e Sonic Youth.

Abaixo, link de "Touch Me, I'm Sick", do Mudhoney, marco zero do Grunge
http://youtu.be/_nGsT_qFMBs

Entretanto, Nevermind tinha algo a mais: Kurt Cobain parece ter incorporado todo o espírito de uma geração rebelde quase sem causa, conscientemente alienada, entediada, embora cheia de opções. Suas letras conseguiam ser absolutamente deprimentes com um desconcertante toque de humor e o ritmo, hora pesado e gritado, hora sonolento era muito bem marcado. Mérito também para os outros integrantes: o baixista Krist Novoselic e o baterista Dave Growl.

A capa do disco por si só era um capítulo a parte e ajudou a catapultar as vendas. O bebê indo em direção à isca-dólar virou uma das imagens mais emblemáticas e marcantes do rock. Posso considerá-la a melhor já feita depois de Sg. Pepper dos Beatles.

Acima: a original e 3 das milhares de paródias de capa de Nevermind

Depois do disco, a banda não foi mais a mesma. Agora famosos, os integrantes passaram a estranhar o assédio e, embora tivessem lançado o bom disco "In Utero", parecia que tudo não duraria muito. Ao vivo, a banda deixava a desejar. Os músicos pareciam pouco inspirados e Kurt quase frequentemente estava chapado no palco, esquecendo as letras e errando as notas. A única e majestosa exceção é o acústico MTV, gravado de uma só vez, impecável, lindo.

Num cenário recheado de flores e velas, por sugestão do próprio Cobain, lembrando propositalmente um velório, o acústico parecia anunciar a despedida marcada para 6 meses depois... o suicídio de Kurt respondeu às principais dúvidas dos fãs: sim, o Nirvana estava no fim e não, o intérprete não se tornaria um velho cantando como adolescente igual a Mick Jagger nem adaptaria o repertório à idade como Eric Clapton. Morrendo no auge, aos 27 anos, Kurt Cobain se tornava uma lenda do Rock.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Viva - a poeira da Globo sob o tapete

O maior fenômeno da TV fechada nos últimos tempos é a TV Viva, que se propõe a mostrar, basicamente, reprises da programação da Globo. A emissora apela aos saudosistas, em especial àqueles que apreciavam a teledramaturgia. Uma boa iniciativa, sem dúvida impulsionada pelo crescimento do acesso das classes C e D à TV paga.



No entanto a filial tem as mesmas virtudes e defeitos da matriz. Se por um lado vemos o Chico Anysio dos anos 90 e o Jô dos anos 80, ambos em suas melhores fases, também vemos o "Sai de Baixo", programa que foi bom por pouco tempo e se arrastou por mais de 5 anos com piadas repetidas. Também somos obrigados a aturar breguices que jamais deveriam ser repetidas como o Video Show e o Mais Você, ambos evitados como a cruz pelo vampiro por quem foge da TV aberta.

Mas o melhor do Viva é, sem dúvida, a noção de passagem de tempo. É no mínimo interessante ver a Escolinha do Professor Raimundo e ficar fazendo um placar imaginário de vivos x mortos... Atualmente está praticamente empatado! E que tal ver na TV Pirata que a Regina Casé e a Louise Cardoso eram duas tetéias bem apreciáveis, ou que a turma do Armação Ilimitada era bem menos enrugada e bem mais canastrona - e nisto estava a graça do programa-, ou que o Casseta e Planeta era realmente muito engraçado e criativo apesar do/graças ao orçamento limitado.



Ficam aqui, então, meus parabéns à iniciativa e meu apelo para que o Viva reprise coisas mais antigas. Ainda quero ver o quanto o Fantástico e o Video Show eram legais nos anos 80, quando não tinham pretensão de serem "revistas eletrônicas", ou programas esquecidos como o TV Colosso, ou mesmo reprises de jornais em dias históricos, como o JN de 11 de setembro de 2001. O Viva ainda não é, nem de longe, o melhor canal, mas tem tudo para ser um dos melhores. Quem viver verá!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Game Review - Street Fighter

Uma coisa que raramente acontece nos filmes é a sequência ser melhor que o original. Com os games rola justamente o contrário. Novas tecnologias empatia com antigos personagens e fases e investimento mais gordo fazem com que a segunta parte de um game sejam tão mais esperados que a primeira. Com "Street Fighter", isso aconteceu de forma exagerada.

Já em meados da década de 1980, haviam jogos de luta "1 contra 1". O primeiro foi Victronics' Warrior, de 1979, seguido de Karate Champ, da DataEast e de Yie-Ar Kung Fu , da Konami. A Capcom, vendo o sucesso dos antecessores decidiu lançar seu próprio título. Em 1987, a empresa lança Street Fighter, um torneio entre 12 jogadores, dentre os quais, 2 são selecionáveis. O enredo não é melhor que "O Grande Dragão Branco" e muitos outros filmes do estilo: lutadores de vários estilos se enfrentando até encontrar um finalista fortaço e virtualmente invulnerável.

Karate Champ: o máximo que se poderia oferecer em termo de jogos de luta antes de Street Fighter

No papel, o jogo teria tudo para dar certo: gráficos bem trabalhados, com cenários super detalhados, vozes audíveis, grande variedade de golpes e estilos. O grande problema eram os controles irritantemente imprecisos: para se soltar um "hadouken", o principal golpe da série, era necessário sacudir violentamente o controle, apertar várias vezes o botão de soco e contar com a sorte, já que havia uma chance de aproximadamente 30% de sair algo decente

É facinho soltar um hadouken em SF1: baixo, dir, esq, dir, esq, cima, dir, esq, dir, esq, dir, esq (x12)+ 3 pulinhos + reza forte+ protocolo assinado pelo governador em 3 vias+ autorização dos pais+ soco (x5)

O Jogo se dava ao luxo até de ter as amadas/odiadas fases de bônus, que serviam de descanso para os jogadores. Nada mais karatê: quebrar telhas sobre um suporte. Os personagens seguiam os esteriótipos de seus países, ou seja: punk ingês, ninja japonês, velho sábio chinês, etc, mas a frase da vitória de todos era invariavelmente a mesma: "You've got a lot to learn before you beat me. Try again, kiddo!". Em época de pouca memória para os jogos tudo foi economizado: só haviam 3 frases gravadas, os personagens eram pequenos e com poucos quadros de animação e não haviam finais individuais.



No entanto, se o jogo peca na jogabilidade e torna-se quase desconhecido do grande público, seu legado é impecável: ele dá origem a uma das mais lucrativas franquias dos games e ao mais cultuado jogo de luta de todos os tempos - Street Fighter II. Voltando à comparação com o cinema, o "Exteminador do Futuro" é um bom filme com efeitos especiais toscos, mas a saga ganhou muito com a sequência e o ciborgue de metal líquido. SF1 é um bom jogo com grande potencial, porém injogável. A Capcom percebeu que tinha um brilhante em estado bruto para ser lapidado e melhorou tudo o que pode. SF2 tinha gráficos impecáveis para a época, boas vozes digitais, movimentação perfeita, variedade de golpes e personagens e o principal: controle preciso.

O sucesso foi tão grande que, muito depois do lançamento das sequências, houve uma onda de curiosidade pelos títulos antigos. Street Fighter Zero, apesar do nome, se passa cronologicamente depois do um e antes do dois e reviveu os principais personagens do jogo original. A onda de revivals se intensificou e a Capcom lançou coletâneas de seus jogos antigos. Finalmente, gamers saudosos como eu teriam a chance de jogar Street Fighter em seus Playstations. Mas a decepção permanecia: Mesmo em consoles ultra modernos a jogabilidade permanecia sofrível... a Capcom perdeu uma grande chance de corrigir uma injustiça histórica...

Minha nota:
Gráficos (x2)
9,0
Som
7
Jogabilidade (x4)
3,5

Nota final
5,57/10

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Os insubstituíveis cabras da peste

Outro dia tive a oportunidade de ouvir uma entrevista dos Raimundos no Pânico. A frase que acabei de escrever pode ter causado grande estranheza, afinal, os Raimundos não acabaram? Bem, na verdade, eles chegaram a acabar por um curtíssimo período (em torno de duas semanas, como disse o Digão), mas por ter estado fora do mainstream por mais de 5 anos, o público associou a falta de hits à morte da banda, tal qual aconteceu com o Ultraje a Rigor no final dos anos 90.

Raimundos na formação atual

A primeira vez que ouvi Raimundos eu estava em casa estudando enquanto ouvia a Transamérica - ou seja, o rendimento de meu estudo estava em quase zero - aí tocou "selim", uma das poucas músicas sem palavrões, embora cheia de sacanagens, do grupo. Achei muito engraçada e com uma boa melodia estilo banquinho e violão, mas ainda longe do som mais pesado que eu procurava, como Nirvana e Metallica que eu já curtia bastante. Curti, mas deixei de lado um pouco, até ouvir "Puteiro em João Pessoa", um clássico da podreira e da putaria exacerbada que todo adolescente como eu na época precisava ouvir...

Os Raimundos tornaram o palavrão uma coisa corriqueira e até banal, mas ao mesmo tempo trouxeram aquele espírito de diversão irresponsável que o rock havia perdido no início dos anos 60. Antes deles, a grande diversão era gritar "Vai se fuder!" na música "Bichos escrotos" dos Titãs quando ela era tocada nas festas. Também o fato de adicionar elementos do Brega nordestino foi um grande atrativo, e olha que o estilo não fazia sucesso nos grandes centros como faz hoje. Os Raimundos começaram a colher frutos misturando dois ritmos marginais de origens totalmente distintas: o hardcore e o forró, e chegaram a ter o grande Zenilton, rei das músicas de duplo sentido na formação da banda. Abaixo, áudio do youtube de Cajueiro/Rio das Pedras, com linda incursão de sanfona no hardcore



O mais duro golpe na banda foi a saída do vocalista Rodolfo Abrantes. O motivo nunca ficou claro. O próprio alegava infelicidade e falta de sintonia com as letras do grupo, mas a versão mais aceita é a de que sua religião meio que barrava esse mundo de sexo e drogas, embora não barrasse o Rock'n Roll. Ele veio a fundar o Rodox, que tinha boas músicas, mas nada comparado à antiga banda



O Raimundos tentou seguir seu caminho mesmo sem o carisma e a presença de palco de Rodolfo. A banda entrou em um pequeno hiato e lançou "Éramos quatro", disco com covers feitas num show com Marky Ramone e algumas raridades. Logo depois, Digão assumiu os vocais e a banda lançou Kavookavala, CD bem melhor que os dois de estúdio anteriores, mas que não chamou tanto a atenção do público. A partir desse momento, a mídia meio que declarou a morte da banda, mas ela ainda estava lá e sempre era lembrada de tempos em tempos.

Mas eles ainda estão aí e mesmo depois de quase 10 anos, ninguém conseguiu substituí-los. Não houve banda nacional mais sacana, divertida, descompromissada e ao mesmo tempo contestadora e, por que não, musicalmente melhor que esses cabras da peste. E pra que ainda duvida... Jaws!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Review - Hannibal, o melhor (ou pior) dos vilões

Eu adoro listas. Apesar de serem quase sempre idiotas e discordantes da opinião de quem as lê, são realmente divertidas. Listas sobre um mesmo tema raramente chegam a um consenso e, em um destes raros momentos encontramos as listas de maiores vilões do cinema. Todas as que eu vi até hoje apontam Hannibal Lecter, o psicopata da série de filmes iniciada por "Silêncio dos Inocentes".

A película original, de 1991 é estrelada por Jodie Foster. Anthony Hopkins faz o papel do canibal psicopata super requintado tanto em crueldades quanto culturalmente, que tem informações fundamentais pra a captura de um outro doido varrido de semelhante nível. A atuação de Hopkins foi tão impactante que ele levou o Oscar tendo aparecido por apenas 16 minutos na trama! O destaque no filme foi para a parte em que Hannibal se disfarça de gurada para fugir da prisão. Ele não só troca de roupa com o guarda como arranca fora seu rosto e o "vestindo-o" na própria cabeça e deita-se no chão para se passar por ferido. Logo chega uma ambulância para levar o suposto guarda ao hospital e - surpresa! - no meio do caminho, Lecter acorda e come literalmente os enfermeiros. (Desculpem, não achei a mencionada cena, então segue a anterior, de como ele atacou os guardas)









Em 2001, a esperada sequencia não teve Jodie Foster. Em seu lugar, tia Julianne Moore assume competentemente o papel da investigadora, já não mais como protagonista. O filme não é tão bom quanto o primeiro, o que não quer dizer que seja ruim. Na trama, Hannibal Lecter é o fugitivo sendo caçado e mostra que, apesar de estar do lado oposto da agente Clarice Starling, nutre afeição por ela e seu lado sincero e ético. Também tenta fugir de um ex-paciente e vítima, que quer dar a ele um fim, digamos, bem digno. Destaque para a cena em que Lecter "janta" com a agente Starling e seu chefe imediato. Detalhe: eu via esta cena em casa enquanto comia espaguete. Não terminei o espaguete...










Em 2002, a série ganha uma prequencia: Dragão Vermelho é um filme mais bem recebido pela crítica e mostra Hannibal ajudando outro agente do FBI a prender outro maluco conhecido como a "Fada dos Dentes". Apesar de ser astuto e precavido, Lecter parece ter um fraco por agentes do FBI com quem vive mantendo contato e ajudando a prender criminosos um bocado menos perigosos que ele. O elenco é competente e segura bem as pontas, inclusive Ralph Phinnes, como o Dragão Vermelho em ótima atuação. A cena do filme, aliás, devemos a ele, quando captura um jornalista que o caluniou e o amarra a uma cadeira. Logo depois, ateia fogo à cadeira e faz a mesma descer flamejante uma grande ladeira. Como diria Caetano: Horrível e ao mesmo tempo lindo... ou não!







Para finalizar, em 2007 chegou aos cinemas Hannibal - Origem do Mal, que mosra como Lecter se tornou o doido varrido que conhecemos. A história é ótima e o nível de violência se mantém, mas o filme tem alguns pontos baixos: o ator que faz o papel principal não é ruim, mas está muito aquém do Hopkins. Se antes acreditávamos que a astúcia de Hannibal era algo instintivo ou sobre-humano, com o filme passamos a saber que havia algo de artes marciais no meio. E quem disse que naquele coração demoníaco e frio não cabe um romancezinho? Lecter tem um envolvimento mal-resolvido com sua professora e cúmplice. Aliás, é graças a ela que ele comete seu primeiro e mais belo assassinato.



Então é isso: melhor que Darth Vader, Odete Roitmann e o Coringa juntos. Hannibal Lecter é garantia de aflição e diversão!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Meu top 10 musical

Fazer listas é uma coisa no mínimo injusta: sempre algo de bom fica de fora, ainda mais quando se leva em conta uma única e flutuante opinião. Sei que no momento ouço e gosto mais de determinadas músicas que de muitas que estarão na lista, mas procurei ser imparcial na minha parcialidade e levar em conta meus sentimentos e história para a composição deste post. Vamos lá!

10- We're only gonna die - Bad Religion



Quando eu ouvi o "A Walk" do Bad Religion pela primeira vez, lá pelos idos de 1996, pensei: "É este o som que eu estava procurando...". Foi o som que me iniciou no punk rock, mas sem as papagaiadas punk de cuspir no chão e dizer que odeia a tudo e a todos. No entanto eu ainda queria mais e pesquisei mais sobre a banda e seus outros lançamentos. Pois foi na primeira música da coletânea 80-85 que eu realmente achei o som que era a essência do grupo e do estilo. "We're only gonna die" é rápida, furiosa, gritada e acaba tão de repente que deixa saudades quando acaba

9- 25 minutes to go - Johnny Cash (ao vivo da Penitenciária de Folson)



Basicamente Johnny Cash lavou a alma dos detentos quando foi fazer o show: falou mal da cadeia, da vida no cárcere, do sistema de um modo geral e até da água servida para os presos. Na música, cujo tema são os últimos minutos de vida de um condenado antes de ir à forca, ele arranca aplausos e assobios quando diz que esperava que o parceiro viesse salvá-lo, mas que isso não era cinema, então se esqueçam dele e que o xerife disse "Garoto, vou te ver morrer", ele riu na cara dele e deu uma cusparada em seu olho. A música não tem final feliz: termina com a cena do condenado se retorcendo pendurado na forca... uma dura obra de ficção para homens que enfrentavam uma dura realidade

8- Another brick in the wall - Pink Floyd



Feita para o musical "The Wall", Another Brick é uma dura crítica ao sistema educacional. Eu me lembro de ouvir no rádio do carro do meu pai indo para o Méier de noite. Eu era criança, devia ter uns 8 anos e me lembro de como era tenebroso aquele coral de crianças cantando na segunda parte. Mais tenebroso ainda foi ver o clipe, aos 13 ou 14 anos, quando as crianças usando máscaras deformantes eram enfileiradas em uma esteira e jogadas no moedor de carne. Depois, elas tiram a máscara e tacam fogo na escola, alimentando a fogueira com o professor maldito. No final uma pequena decepção: tudo não passava de uma fantasia de vingança do protagonista. Uma música forte com um clipe tão forte quanto.

7- Rearview mirror - Pearl Jam



Um hino particular para quando algum problema ou pessoa problemática fica para trás. A música fala exatamente disso, fazendo uma relação com uma fuga automobilística. A sensação de "Xô, encosto" é ainda mais libertadora quando toca o solo de guitarra logo após o Eddie Vedder falar "Saw things clearer once you were in my rearview mirror". Ótima, claro, para se ouvir depois de uma briga conjugal no CD/MP3 player do carro

6- Thriller - Michael Jackson



Sim, os videoclipes tiveram influência fundamental na composição deste post. O clipe de Thriller é considerado por especialistas e críticos como o melhor já feito. Eu discordo, mas entendo razão, afinal, eu fui uma das milhões de crianças que não dormiram quando assistiram Michael Jackson se transformar em monstros de aparência não tão horripilante quanto a sua própria nos seus últimos anos de vida. E o que dizer da voz de Vincent Price anunciando o levantar dos mortos com sua voz cavernosa e a sua tétrica risada no final? Thriller alçou, com muita justiça, Michael ao megaestrelato.

5- People talk - Joy Salinas



Decepção, diria você, leitor, ao ver este poperô à fernte de clássicos do rock ou mesmo do rei do Pop. mas esse dancezinho pasteurizado me traz boas lembranças de meu início de adolescência, quando meu primo discotecava festas de amigos me levando na bagagem. Era uma época muito boa: as meninas me achavam bonitinho, os meninos me achavam legal. Tudo era divertido e até, de certo modo, inocente. Por algum motivo desconhecido de minha parte, eu associava essa música a Super Street Fighter 2... quem disse queessa lista deveria ser racional?

4- Rádio pirata - RPM



Rádio Pirata foi meu primeiro grito pop/rock. Tudo bem, a música é datada, mas seu LP foi o meu primeiro e disso não dá pra esquecer. Na época eu deveria ter uns 8 anos e conhecia pouquíssimas músicas. Foi Rádio Pirata o alicerce do que hoje considero como o meu gosto musical. Mas pode falar mal: não vou muito com a cara do Paulo Ricardo

3- One - Metallica



Mais uma influência da MTV, mas dessa vez eu conheci a música graças ao clipe e não o contrário. Foi a primeira música Heavy Metal que eu gostei, portanto, abriu as portas para o estilo. A rapidez com que o Kirk Hammet toca a guitarra no final da música é algo alucinante e, pelo que eu vi até agora, insuperável. Quanto ao clipe, devo dizer que a versão longa, com trachos de "Johnny Vai à Guerra" é simplismente sensacional e resumiu com maestria o (ótimo) filme sobre um homem que vai a guerra e perde o rosto, os membros e todos os sentidos menos o tato. Em todo caso, estou aqui julgando a música e acho que nenhuma, mesmo do Metallica, pode vir a superar esta

2- Alive - Pearl Jam



Clássico do Grunge, dessa eu me lembro de não ter gostado da primeira vez que ouvi - e de ter adorado na segunda. Eu poderia ter colocado várias múdicas do Pearl Jam aqui na lista e acho até que mereceria: é uma banda do mainstream que, claro, até cedeu aos apelos comerciais, mas conseguiu manter a essência pessoal e contestadora do estilo, sendo um dos pouquíssimos remanescentes da época. Essa música foi o primeiro e maior hit daquela que considero minha banda favorita, com letra perturbadora e ótimo ritmo, nem leve nem pesado demais.

1- Smells like teen spirit - Nirvana

Esta música estourou no momento perfeito para o mundo musical e na minha vida pessoal. O rock estava decadente, afarofado e aviadado. O Rap estava em ascensão e a Dance Music estava dominando as paradas. O Nirvana, totalmente sem expectativas soltou esta bomba musical, cheia de atitude e ritmo, contestadora como o Punk e alienada como o Pop. A música tinha versos suaves que logo passavam a um refrão pesado com direito a paradinhas entre as guitarradas. Era uma verdadeira montanha russa sonora!



Kurt Cobain, problemático vocalista, não soube lidar bem com a fama. Ele mesmo não entendia e aceitava o próprio sucesso e acabou sucumbindo aos vícios de uma alma já atormentada. Ele não aguentava mais tocar "Smells..." a todo show que fizesse, já que, segundo ele, haviam pelo menos dez músicas melhores. A propósito, "Smells Like Teen Spirit" não só pode ser traduzido literalmente (Cheira a espírito adolescente) como também se vale de um trocadilho. É que Teen Spirit é o nome de um desodorante muito usado pelo povão nos EUA. Assim, outra tradução (Cheira a desodorante barato) pode ser até melhor aplicada.



Da música surgiram ótimas versões e sátiras como a acima. Também é uma das músicas favoritas do pessoal que faz mash ups", ou seja misturas musicais. Uma das mais originais é esse encontro de além-túmulo:



Em termos pessoais, a música marca minha entrada na adolescência, minha mudança de colégio, onde encontrei aqueles que são até hoje meus melhores amigos, meu início de transição para a era do CD. Tudo daquela época me influenciou profundamente e ainda tem aquele cheirinho de espírito jovem, aquele cheiro de desodorante barato...

Menções honrosas
  • Black Sabbath - Iron man
  • Bad Religion - God song
  • Raimundos - Herbocinética
  • Dick Dale - Mirselou
  • Green Day - Brain Stew/ Jaded
  • Haddaway - Life
  • Suicidal Tendencies - Institutionalized
  • Raimundos - Puteiro em João Pessoa
  • Angra - Carry on
  • Offspring - Gotta get away

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Tinha que ser o Chaves!

Dentre as produções de TV existem aquelas que são caríssimas e que precisam de megapatrocinadores para emplacar sem prejuízo. Isso aconteceu, por exemplo, com o Caldeirão do Huck nos primeiros anos e acontece com muitas novelas da Globo em horário nobre e com apresentadores renomados como Gugu e Faustão. Algumas redes de TV não se arriscam tanto e compram séries que já fizeram ou fazem sucesso como Friends ou Dexter, ou pacotes de filmes dos grandes estúdios.

O retorno na audiência é quase sempre muito caro. Uma das exceções é de uma série mexicana lançada na década de 70 e que chegou ao Brasil em 1984: Chaves. Ela é o super trunfo do SBT quando precisa de audiência em algum horário. Está no ar há mais de 25 anos com pequenas interrupções.



A série foi feita com orçamento baixo e um pequeno grupo de atores. Tais atores, embora limitados na interpretação, tinham personalidade e sabiam se aproveitar de seus respectivos tipos físicos para fazer graça. Com o tempo, alguns personagens acabaram fazendo mais sucesso que o próprio protagonista.

Origem

Segundo o criador, produtor e intérprete da série (Roberto Gómez Bolaños), no livro O Diário do Chaves (lançado em 2006), o garoto havia fugido de um orfanato do qual a mãe o havia deixado bem pequeno, já que lá não se sentia feliz. Foi então que encontrou uma "vila", e uma senhora sozinha, muito idosa, o abrigou no apartamento número 8, junto a ela. Mas logo ela faleceu e Chaves teve que ser despejado, passando a viver então dentro do Barril. Mas para todos, continuava dizendo que morava no apartamento 8. Somente com o lançamento desse livro foi revelado este "enigma" da série. (Fonte)



A história triste do menino abandonado adotado pela vila ganhou ainda mais charme quando foram adicionadas as histórias dos vizinhos: o desempregado que deve mais de um ano de aluguel e vive de bicos e pequenos golpes, mas só não é expulso por pena; A viúva que desfrutava de alguma posição social, mas que quer manter as aparências ou mesmo esquecer que mora onde mora e tem os vizinhos que tem; a solteirona solitária e amargurada que vive sendo discriminada pelas crianças, que a confundem com uma bruxa; o menino super mimado e criado somente pela mãe, e que tem os melhores brinquedos, mas justificada fama de antipático; a filha do desempregado, mais esperta das crianças e aprendiz das vigarices do pai; o professor apaixonado pela viúva, mas que foge do compromisso do casamento; o senhorio, rico e de bom coração que sempre é passado para trás e sempre se acidenta quando chega na vila.



Tais histórias mostram o que há de melhor e pior no ser humano. Aliás, essa é a palavra que define o seriado: humano! Não há vilões ou heróis na vila: apenas humanos lutando para sobreviver e conviver com as diferenças

A série começou a ruir quando os egos passaram a se inflar. Kiko passou a fazer mais sucesso que Chaves e Carlos Villagrán, intérprete do bochechudo, pediu mais espaço - e provavelmente dinheiro - Roberto Bolaños, criador e intérprete de Chaves, brigou com ele e Kiko saiu do show, levando Ramon Valdez, o Madruga, personagem de maior sucesso no Brasil. Kiko ganhou programa próprio, que não durou muito. Valdez ainda voltou para o elenco por mais um ano e saiu devido ao câncer de pulmão. Morreu pouco tempo depois, causando comoção nacional no México.





O elenco continuou apesar da forte baixa, tendo reforço do carteiro Jaiminho e do novo cenário do Bar da Florinda. Para muitos essa foi a época mais fraca da história da série, mas na minha humilde opinião, foi dessa fase que saiu uma das melhores piadas:



Roberto Gomes Bolaños continua a escrever para a TV mexicana, mas está com a saúde debilitada, os outros atores vivos do seriado mantém circos e ainda vivem muito da imagem de seus antigos personagens. O último episódio do Chaves foi ao ar no México em 1992, então como quadro do programa de Chesperito - apelido de Roberto Bolaños. Chesperito= o pequeno Shakespeare. A fórmula já estava desgastada. Bolaõs já não tinha mais agilidade para interpretar um garoto de 8 anos, assim como sua segunda mais conhecida criação, o anti-herói Chapolim Colorado. Apear de ser considerado um gênio, Bolaños não poderia superar a falta de seus principais coadjuvantes, além do pior dos inimigos de todo herói: o tempo.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

As grandes desinvenções da humanidade

Já pensou como o mundo seria melhor se algumas coisas simplismente deixassem de existir? Não, eu não quis dizer "nunca existissem", mas sim, se apenas deixassem de uma hora pra outra de existir, fossem desintegradas, desinventadas. Imagine o alívio de saber que algo que o incomoda demais repentinamente sumiu da face da terra e na sua memória fica apenas a impressão de ter se chateado muito com tal coisa, mas que, com sua "desinvenção" o mundo virou um lugar melhor. Não entendeu? Então veja alguns exemplos para clarear a mente

O saxofone

Não conheço uma música boa em que entre o saxofone. A trombeta curvada pra baixo do inferno foi inventada em 1840 pelo belga Antonie Joseph Sax e desde então tem exercido influência funesta em ritmos igualmente maçantes, principalmente o Jazz. Com sua desinvenção, os elevadores deixariam de ser pequenas salas de tortura e as pessoas assoviariam alegres músicas ou mesmo se socializariam, se entregando à conversa. Kenny G se dedicaria a instrumentos mais interessantes, como a bateria ou a sanfona.

Os advogados

Sem advogado não há justiça, certo? Pode ser, mas a vida é injusta de forma geral e nem assim desistimos de vivê-la. Em qualquer lugar do mundo eles são hostilizados e associados à perdas monetárias e burocracia. Você pode imaginar um mundo sem advogados? Pois os roteiristas dos Simpsons imaginaram



Os vírus de computador

O primeiro virus de PC, Brian, surgiu em 1986 e contaminava os computadores através de disquete. Desde então, qualquer agente externo pode infectar seu micro. Com o surgimento da internet, sua proliferação se ampliou dramaticamente. A cada versão nova de antivírus, surge um novo vírus que rompe sua barreira, fazendo assim com que um novo antídoto tenha que ser produzido. Com a desinvenção do Vírus, as pessoas poderão abrir um arquivo pelo e-mail sem medo, acessar suas contas bancárias ou mesmo assistir àqueles vídeos em que pessoas f*dem umas às outras, mas não seu micro. Só. Só isso.

O alfajor


Não gosto de alfajor e não vejo a graça desse treco, que não sabe se é bolo ou biscoito e além de tudo é argentino. Quando viajei pra Buenos Aires fui obrigado a trazer uma caixa de alfajores na minha bagagem, que ocupou espaço à beça só pra eu fazer uma social no Brasil. Alguns podem me dizer: "ué, se você não gosta de alfajor, simplismente não coma", mas a mainha antipatia pelo cover de pão de mel e meus consecutivos cruzamentos com ele só me fazem pedir sua desinvenção.

Mangá/anime


Enquanto trabalhador das artes visuais, eu não deveria ter preconceito contra nada na área, mas nada tenho contra o visual em si, apenas com o tipo de história vinculada aos mangás e animes. O enredo é complicado e, apesar de sem sentido, costuma ter tiradas bobas demais. Um anime popular, como Dragon Ball, pode conter elementos de filosofia, história oriental, religião e artes marciais... tudo misturado sem o menor sentido! A influência do mangá é tão nefasta, que criou aberrações como esta:
Leia uma história convencional da Turma da Mônica e leia a versão "jovem", com monstros e frescuras afins.

Outros

Novela, Vuvuzela, comédia romântica... não preciso comentar!

sábado, 27 de novembro de 2010

Herói da resistência: O último flipper de rua

Na esquina da Rua da Assembléia com a Rodrigo Silva, no centro do Rio de Janeiro, funcionava o último Fliperama de rua que vi aberto. Ponto de encontro de office boys, estagiários, estudantes ou simples passantes com tempo de sobra, o estabelecimento me causou um grande vazio quando fechou suas portas, lá pelo ano de 2007.


Não, eu não era frequentador do local. Passei lá umas três ou quatro vezes, mais por curiosidade que por vontade de jogar. Nunca gastei um centavo em créditos de suas Máquinas. De certo modo, o barulho incessante, a movimentação, o clima me lembravam da época em que eu frequentava, ou melhor, batia ponto em dois flippers: um na 28 de Setembro, em Vila Isabel, perto de casa e outro na São Francisco Xavier, Tijuca, perto de onde estudava (ou não)

Nos anos 80 haviam muitos fliperamas. Com o final da era do Atari e o início da era 8/16 bits, o jogo eletrônico virou mania pelas ruas. Assim como cinemas de rua concorriam entre si, os arcades, muitas vezes, baixavam o preço da ficha para ganhar a clientela de outro a menos de 50 metros de distância. Nessa época eu não me importava muito com os joguinhos.

Até que um dia, antes de ir à escola, resolvi dar uma volta e vi o game que mudaria minha maneira de ver jogos eletrônicos... esse!



Para mim, Street Fighter 2 parecia um desenho animado interativo. Com 8 personagens bem distintos e super carismáticos, aquela visão me fez perder o primeiro tempo de aula e muitos outros a partir de então. Ainda vou escrever um review completo sobre o game, portanto não vou me prolongar, mas o fato é que o velho SF2 virou parâmetro de bom jogo para mim e até hoje nenhum outro me causou o impacto emocional daquela primeira visão. Se bem que também teve esse...



Além dos gráficos incríveis para a época, devo dizer que ver esses demembramentos e explosões de cabeças era divertido demais. Mortal Kombat tinha um humor sádico inigualável, que foi mal explorado nas continuações. O jogo, apesar do bom enredo, não tinha uma jogabilidade muito boa, o que o fez entrar em decadência em alguns anos, não mais fazendo frente a Street fighter, Fatal Fury, Samurai Shodown e outros grandes jogos de luta

Haviam também jogos de luta "beat'em up", estilo que misturavam elementos de plataforma à luta tradicional. A Capcom foi pioneira e dominou ambos os gêneros. Meu beat'em up favorito na época era o Captain Commando, que misturava ninjas, múmias, bebês que controlavam robôs e um protagonista que parecia uma mistura de Robocop e Capitão América cheio de truques.



Havia vida fora dos jogos de luta. Eu passei a curtir jogos de corrida a partir de 1994, com o lançamento de Daytona USA. Até hoje acho a sensação de velocidade do jogo uma coisa incrível. A música tema pode grudar na orelha por horas (Daytonnaaaaaaaa Daytonnaaaaaaaa...). Taí um jogo que só deve ser jogado no arcade e que perde metade da graça quando jogado em casa...



Os jogos de tiro com visão superior também eram muito viciantes. Adrenalina garantida para o jogador, em especial quando a tela se enchia de tiros dos inimigos e rolava aquele "slowdown" salvador. Até hoje não sei se isso era forçado ou se apenas a memória da máquina era muito limitada para tantos elementos na tela. Nesse quesito destaco três grandes franquias: Thunder Dragon, com ótima dinâmica de jogo; Raiden, com bom design retrô e Aero Fighters com grande opção de aviões e tiros para se escolher.



Ainda posso citar muitos ótimos jogos que curti na ápoca do fliperama, como Cadillacs & Dinasaurs, Mutant Fighter, Tekken 3, 19xx, The king of Fighters 96 e Killer Instinct, mas um jogo em especial merece o selo de garantia Inmetro de jogo mais viciante que conheci: com gráficos toscos, enredo idiota e som irritante, eu vos apresento... Thunder & Lightning!!!



Bem, o flipper morreu, mas todos esses jogos podem ser revistos. Emuladores como o Mame, o Final Burn e o NeoRageX são o que mais próximo se pode conhecer daqueles velhos jogos que representam o retrato de uma época: a mais legal da minha vida!