quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Tinha que ser o Chaves!

Dentre as produções de TV existem aquelas que são caríssimas e que precisam de megapatrocinadores para emplacar sem prejuízo. Isso aconteceu, por exemplo, com o Caldeirão do Huck nos primeiros anos e acontece com muitas novelas da Globo em horário nobre e com apresentadores renomados como Gugu e Faustão. Algumas redes de TV não se arriscam tanto e compram séries que já fizeram ou fazem sucesso como Friends ou Dexter, ou pacotes de filmes dos grandes estúdios.

O retorno na audiência é quase sempre muito caro. Uma das exceções é de uma série mexicana lançada na década de 70 e que chegou ao Brasil em 1984: Chaves. Ela é o super trunfo do SBT quando precisa de audiência em algum horário. Está no ar há mais de 25 anos com pequenas interrupções.



A série foi feita com orçamento baixo e um pequeno grupo de atores. Tais atores, embora limitados na interpretação, tinham personalidade e sabiam se aproveitar de seus respectivos tipos físicos para fazer graça. Com o tempo, alguns personagens acabaram fazendo mais sucesso que o próprio protagonista.

Origem

Segundo o criador, produtor e intérprete da série (Roberto Gómez Bolaños), no livro O Diário do Chaves (lançado em 2006), o garoto havia fugido de um orfanato do qual a mãe o havia deixado bem pequeno, já que lá não se sentia feliz. Foi então que encontrou uma "vila", e uma senhora sozinha, muito idosa, o abrigou no apartamento número 8, junto a ela. Mas logo ela faleceu e Chaves teve que ser despejado, passando a viver então dentro do Barril. Mas para todos, continuava dizendo que morava no apartamento 8. Somente com o lançamento desse livro foi revelado este "enigma" da série. (Fonte)



A história triste do menino abandonado adotado pela vila ganhou ainda mais charme quando foram adicionadas as histórias dos vizinhos: o desempregado que deve mais de um ano de aluguel e vive de bicos e pequenos golpes, mas só não é expulso por pena; A viúva que desfrutava de alguma posição social, mas que quer manter as aparências ou mesmo esquecer que mora onde mora e tem os vizinhos que tem; a solteirona solitária e amargurada que vive sendo discriminada pelas crianças, que a confundem com uma bruxa; o menino super mimado e criado somente pela mãe, e que tem os melhores brinquedos, mas justificada fama de antipático; a filha do desempregado, mais esperta das crianças e aprendiz das vigarices do pai; o professor apaixonado pela viúva, mas que foge do compromisso do casamento; o senhorio, rico e de bom coração que sempre é passado para trás e sempre se acidenta quando chega na vila.



Tais histórias mostram o que há de melhor e pior no ser humano. Aliás, essa é a palavra que define o seriado: humano! Não há vilões ou heróis na vila: apenas humanos lutando para sobreviver e conviver com as diferenças

A série começou a ruir quando os egos passaram a se inflar. Kiko passou a fazer mais sucesso que Chaves e Carlos Villagrán, intérprete do bochechudo, pediu mais espaço - e provavelmente dinheiro - Roberto Bolaños, criador e intérprete de Chaves, brigou com ele e Kiko saiu do show, levando Ramon Valdez, o Madruga, personagem de maior sucesso no Brasil. Kiko ganhou programa próprio, que não durou muito. Valdez ainda voltou para o elenco por mais um ano e saiu devido ao câncer de pulmão. Morreu pouco tempo depois, causando comoção nacional no México.





O elenco continuou apesar da forte baixa, tendo reforço do carteiro Jaiminho e do novo cenário do Bar da Florinda. Para muitos essa foi a época mais fraca da história da série, mas na minha humilde opinião, foi dessa fase que saiu uma das melhores piadas:



Roberto Gomes Bolaños continua a escrever para a TV mexicana, mas está com a saúde debilitada, os outros atores vivos do seriado mantém circos e ainda vivem muito da imagem de seus antigos personagens. O último episódio do Chaves foi ao ar no México em 1992, então como quadro do programa de Chesperito - apelido de Roberto Bolaños. Chesperito= o pequeno Shakespeare. A fórmula já estava desgastada. Bolaõs já não tinha mais agilidade para interpretar um garoto de 8 anos, assim como sua segunda mais conhecida criação, o anti-herói Chapolim Colorado. Apear de ser considerado um gênio, Bolaños não poderia superar a falta de seus principais coadjuvantes, além do pior dos inimigos de todo herói: o tempo.

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