sábado, 27 de novembro de 2010

Herói da resistência: O último flipper de rua

Na esquina da Rua da Assembléia com a Rodrigo Silva, no centro do Rio de Janeiro, funcionava o último Fliperama de rua que vi aberto. Ponto de encontro de office boys, estagiários, estudantes ou simples passantes com tempo de sobra, o estabelecimento me causou um grande vazio quando fechou suas portas, lá pelo ano de 2007.


Não, eu não era frequentador do local. Passei lá umas três ou quatro vezes, mais por curiosidade que por vontade de jogar. Nunca gastei um centavo em créditos de suas Máquinas. De certo modo, o barulho incessante, a movimentação, o clima me lembravam da época em que eu frequentava, ou melhor, batia ponto em dois flippers: um na 28 de Setembro, em Vila Isabel, perto de casa e outro na São Francisco Xavier, Tijuca, perto de onde estudava (ou não)

Nos anos 80 haviam muitos fliperamas. Com o final da era do Atari e o início da era 8/16 bits, o jogo eletrônico virou mania pelas ruas. Assim como cinemas de rua concorriam entre si, os arcades, muitas vezes, baixavam o preço da ficha para ganhar a clientela de outro a menos de 50 metros de distância. Nessa época eu não me importava muito com os joguinhos.

Até que um dia, antes de ir à escola, resolvi dar uma volta e vi o game que mudaria minha maneira de ver jogos eletrônicos... esse!



Para mim, Street Fighter 2 parecia um desenho animado interativo. Com 8 personagens bem distintos e super carismáticos, aquela visão me fez perder o primeiro tempo de aula e muitos outros a partir de então. Ainda vou escrever um review completo sobre o game, portanto não vou me prolongar, mas o fato é que o velho SF2 virou parâmetro de bom jogo para mim e até hoje nenhum outro me causou o impacto emocional daquela primeira visão. Se bem que também teve esse...



Além dos gráficos incríveis para a época, devo dizer que ver esses demembramentos e explosões de cabeças era divertido demais. Mortal Kombat tinha um humor sádico inigualável, que foi mal explorado nas continuações. O jogo, apesar do bom enredo, não tinha uma jogabilidade muito boa, o que o fez entrar em decadência em alguns anos, não mais fazendo frente a Street fighter, Fatal Fury, Samurai Shodown e outros grandes jogos de luta

Haviam também jogos de luta "beat'em up", estilo que misturavam elementos de plataforma à luta tradicional. A Capcom foi pioneira e dominou ambos os gêneros. Meu beat'em up favorito na época era o Captain Commando, que misturava ninjas, múmias, bebês que controlavam robôs e um protagonista que parecia uma mistura de Robocop e Capitão América cheio de truques.



Havia vida fora dos jogos de luta. Eu passei a curtir jogos de corrida a partir de 1994, com o lançamento de Daytona USA. Até hoje acho a sensação de velocidade do jogo uma coisa incrível. A música tema pode grudar na orelha por horas (Daytonnaaaaaaaa Daytonnaaaaaaaa...). Taí um jogo que só deve ser jogado no arcade e que perde metade da graça quando jogado em casa...



Os jogos de tiro com visão superior também eram muito viciantes. Adrenalina garantida para o jogador, em especial quando a tela se enchia de tiros dos inimigos e rolava aquele "slowdown" salvador. Até hoje não sei se isso era forçado ou se apenas a memória da máquina era muito limitada para tantos elementos na tela. Nesse quesito destaco três grandes franquias: Thunder Dragon, com ótima dinâmica de jogo; Raiden, com bom design retrô e Aero Fighters com grande opção de aviões e tiros para se escolher.



Ainda posso citar muitos ótimos jogos que curti na ápoca do fliperama, como Cadillacs & Dinasaurs, Mutant Fighter, Tekken 3, 19xx, The king of Fighters 96 e Killer Instinct, mas um jogo em especial merece o selo de garantia Inmetro de jogo mais viciante que conheci: com gráficos toscos, enredo idiota e som irritante, eu vos apresento... Thunder & Lightning!!!



Bem, o flipper morreu, mas todos esses jogos podem ser revistos. Emuladores como o Mame, o Final Burn e o NeoRageX são o que mais próximo se pode conhecer daqueles velhos jogos que representam o retrato de uma época: a mais legal da minha vida!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

TOP 10 carros dos meus sonhos

Sempre fui um aficcionado por carros, embora nunca gostasse de fato de dirigir. Também nunca tive reais ambições de ter um carro caro e sinistro, mas como sonhar não custa nada, nada mais justo que fazer esta lista. Quando eu me refiro a carro dos sonhos, não me limito a sonhar de fato: o carro pode até não existir de verdade. Vamos a eles:

10 - Ferrari F-40


O desenho desse carro mexeu tanto com minha imaginação na adolescência que me deixou obsessivo. todo desenho que eu fazia, tentava colocar aquele detalhe ferrarístico: aquela entrada de ar triangular, ou aquele exagerado aerofólio, ou os faróis... de alguma maneira meus carros inventados tinham que ser uma F-40

09 - Batmóvel do seriado


Tá, o carro era cafona como o seriado, mas ainda assim, tem um charme inviluntário que nem mesmo os filmes mais recentes do Batman puderam reproduzir. Se o Batman de 4 décadas atrás era um canastrão quase engraçado, seu carro é um desejável e inexplicável objeto de desejo

08 - Fusca do Piquet


Não sou aficcionado por fuscas, ainda mais tunados, mas o Nelson Piquet fez algumas modificações que deixaram seu besouro peçonhento como uma víbora. Diz uma lenda urbana que um playboy de BMW emparelhou com Nelsão no sinal e o desafiou para um pega. Perdeu vergonhosamente para o "inofensivo" fusquinha com motor de Porsche...

07 - Supermáquina


Esse é um sonho de menino. Ter Kitt, a supermáquina, só pra mim. O carrão preto tinha a cara dos anos 80. Era tagarela, rápida, cheia de truques e um tanto ingênua. E tinha o detalhe de design mais irado de todos os tempos: Aqueles leds vermelhos que piscavam de forma sequencial no capô do carro!

06 - GM Firebird 1958



Esse carro junta 2 coisas que eu adoro: carros-conceito e velharias. O grande Harley Earl, responsável pelos mais espalhafatosos e vendidos modelos dos anos 50, projetou uma série de carros com motor a jato, que pelo espaço ocupado e os danos à natureza seriam banidos das ruas hoje. Como eu nunca tive a menor simpatia pela causa ecológica, amei este exemplar projetado em 1958

05 - Lotus do Fittipaldi


Foi responsável pelo único momento realmente legal do GP Brasil de Fórmula 1 de 2010. Claro que eu jamais teria como andar com um carro desses na rua e, principalmente, jamais teria peças sobressalentes, mas valeria pelo menos uma voltinha. Note que a despeito da tecnologia ultrapassada, este F1 tem o visual muito mais esportivo e agressivo que os atuais

04 - Mach 5


O desenho do Speed Racer era um pé no saco, mas uma coisa, apenas uma coisa era legal naquela tranqueira: o carro que saltava por sobre os outros, jogava óleo na pista e outros truques sujos que a FIA fazia questão de não ver. Uma pena que Satoru Nakagima não correu em um na época em que disputava a Fórmula 1. Na verdade, ele já era por si só um obstáculo ambulante.

03 - Audi RSQ


Carro com esferas no lugar de rodas da Audi. Atuou no filme Eu Robô. Esse carro tem tudo o que se espera do carro do futuro: piloto automático, GPS anti-engarrafamento e extrema manobrabilidade. O desenho dele lembra o dos Audi de hoje, mas o lance não é o carro em si e sim seus sistemas revolucionários

02 - Stude concept II

Qual o limete para o desejo de algo? Ora, a própria imaginação! Este foi um dos meus últimos desenhos de automóvel, baseado no conceito que eu já havia feito de um studebaker 1957. Qual é sua potência? A que eu quiser! Seu preço? Pra mim: de graça, pros outros: caríssimo! O Stude é literalmente um carro imaginado por mim para mim, mas isso não foi o suficiente para que ele fosse o primeiro deste ranking...

01 - DeLorean de "De Volta Para o Futuro"


Incontestável! O carro em aço escovado - ele não tinha pintura - podia voar e viajar no tempo! E ainda por cima poderia ser abastecido com lixo comum, graças a uma pequena adaptação. Deixava um indefectível rastro de fogo em suas viagens temporais. Muitas obras foram escritas sobre viagens no tempo, mas a trilogia de filmes nos apresentou à fantástica associação da máquina do tempo com o automóvel. E pensar que uma das idéias originais dos filmes era de a máquina ser uma geladeira...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Game Review - Streets of Rage 3

Um de meus jogos favoritos de Mega Drive. Ainda me lembro do dinheirinho contado para comprar um cartucho de procedência duvidosa de Streets of Rage 3. Qual não foi a minha decepção ao ver que o título era em japonês. Ô raiva! Ô idioma escroto! Só me restava assistir às cenas de transição - sem legendas - para tentar entender o que se passava...

Na verdade, em jogos beat'em up o enredo não variava muito: mocinha sequestrada por gangue faz namorado e amigos sairem no tapa com desconhecidos na rua, até enfrentarem um sub-boss que talvez dê alguma dica sobre o paradeiro. Mais impressionante é a covardia inversa desse tipo de jogo: com um soco pode-se acertar 3 ou 4 pessoas ao mesmo tempo, seu jogador domina os melhores e mais pintudos movimentos enquanto os adversários mal reagem com poucos e indispostos golpes.

No caso de Streets of Rage 3, melhor e mais completo jogo da sega, digo, da saga, o comissário de polícia foi sequestrado pelo supervilão que atende pelo originalíssimo nome de Mr. X. Axel, Blaze, Sammy e Zan enfrentam várias missões para resgar o chefinho. O jogo se desenrola de tal forma que conforme você as cumpre - ou não cumpre -, o final muda. Há assim um final feliz e dois tristes.

A versão japonesa traz um subchefe afeminado que você pode assumir (ui!) o controle assim que derrotá-lo. Os americanos, preocupados com a moral de suas gordurosas e açucaradas famílias, trataram de censurar tal criatura virtual. Sabe como é... sair na porrada no meio da rua pode, mas mostrar um baitola num jogo de videogame, jamais!!!



Outro detalhe bem legal e até hoje não copiado em jogos do estilo é a aquisição de novos golpes por experiência e acumulo de pontos. A cada 30 mil pontos sem perda de vida, uma estrela é acrescentada ao lutador, fazendo com que seu golpe especial aumente em poder e alcance. A cada vida perdida, uma estrela é subtraída. Não é fácil manter suas estrelas, mas seu tempo de permanência com elas facilitará muito sua vida no jogo.

O chefe final é um robô que costuma aceitar bem golpes voadores, mas que exige uma derrota em um tempo determinado. Só cumprindo essa missão final o fará assistir ao super bem desenhado final deste clássico do Mega Drive!



Minha nota:
Gráficos (x2)
8,0
Som
8,5
Jogabilidade (x4)
9,5

Nota final
8,93/10