sexta-feira, 8 de julho de 2011

Os insubstituíveis cabras da peste

Outro dia tive a oportunidade de ouvir uma entrevista dos Raimundos no Pânico. A frase que acabei de escrever pode ter causado grande estranheza, afinal, os Raimundos não acabaram? Bem, na verdade, eles chegaram a acabar por um curtíssimo período (em torno de duas semanas, como disse o Digão), mas por ter estado fora do mainstream por mais de 5 anos, o público associou a falta de hits à morte da banda, tal qual aconteceu com o Ultraje a Rigor no final dos anos 90.

Raimundos na formação atual

A primeira vez que ouvi Raimundos eu estava em casa estudando enquanto ouvia a Transamérica - ou seja, o rendimento de meu estudo estava em quase zero - aí tocou "selim", uma das poucas músicas sem palavrões, embora cheia de sacanagens, do grupo. Achei muito engraçada e com uma boa melodia estilo banquinho e violão, mas ainda longe do som mais pesado que eu procurava, como Nirvana e Metallica que eu já curtia bastante. Curti, mas deixei de lado um pouco, até ouvir "Puteiro em João Pessoa", um clássico da podreira e da putaria exacerbada que todo adolescente como eu na época precisava ouvir...

Os Raimundos tornaram o palavrão uma coisa corriqueira e até banal, mas ao mesmo tempo trouxeram aquele espírito de diversão irresponsável que o rock havia perdido no início dos anos 60. Antes deles, a grande diversão era gritar "Vai se fuder!" na música "Bichos escrotos" dos Titãs quando ela era tocada nas festas. Também o fato de adicionar elementos do Brega nordestino foi um grande atrativo, e olha que o estilo não fazia sucesso nos grandes centros como faz hoje. Os Raimundos começaram a colher frutos misturando dois ritmos marginais de origens totalmente distintas: o hardcore e o forró, e chegaram a ter o grande Zenilton, rei das músicas de duplo sentido na formação da banda. Abaixo, áudio do youtube de Cajueiro/Rio das Pedras, com linda incursão de sanfona no hardcore



O mais duro golpe na banda foi a saída do vocalista Rodolfo Abrantes. O motivo nunca ficou claro. O próprio alegava infelicidade e falta de sintonia com as letras do grupo, mas a versão mais aceita é a de que sua religião meio que barrava esse mundo de sexo e drogas, embora não barrasse o Rock'n Roll. Ele veio a fundar o Rodox, que tinha boas músicas, mas nada comparado à antiga banda



O Raimundos tentou seguir seu caminho mesmo sem o carisma e a presença de palco de Rodolfo. A banda entrou em um pequeno hiato e lançou "Éramos quatro", disco com covers feitas num show com Marky Ramone e algumas raridades. Logo depois, Digão assumiu os vocais e a banda lançou Kavookavala, CD bem melhor que os dois de estúdio anteriores, mas que não chamou tanto a atenção do público. A partir desse momento, a mídia meio que declarou a morte da banda, mas ela ainda estava lá e sempre era lembrada de tempos em tempos.

Mas eles ainda estão aí e mesmo depois de quase 10 anos, ninguém conseguiu substituí-los. Não houve banda nacional mais sacana, divertida, descompromissada e ao mesmo tempo contestadora e, por que não, musicalmente melhor que esses cabras da peste. E pra que ainda duvida... Jaws!

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