
Não, eu não era frequentador do local. Passei lá umas três ou quatro vezes, mais por curiosidade que por vontade de jogar. Nunca gastei um centavo em créditos de suas Máquinas. De certo modo, o barulho incessante, a movimentação, o clima me lembravam da época em que eu frequentava, ou melhor, batia ponto em dois flippers: um na 28 de Setembro, em Vila Isabel, perto de casa e outro na São Francisco Xavier, Tijuca, perto de onde estudava (ou não)
Até que um dia, antes de ir à escola, resolvi dar uma volta e vi o game que mudaria minha maneira de ver jogos eletrônicos... esse!
Para mim, Street Fighter 2 parecia um desenho animado interativo. Com 8 personagens bem distintos e super carismáticos, aquela visão me fez perder o primeiro tempo de aula e muitos outros a partir de então. Ainda vou escrever um review completo sobre o game, portanto não vou me prolongar, mas o fato é que o velho SF2 virou parâmetro de bom jogo para mim e até hoje nenhum outro me causou o impacto emocional daquela primeira visão. Se bem que também teve esse...
Além dos gráficos incríveis para a época, devo dizer que ver esses demembramentos e explosões de cabeças era divertido demais. Mortal Kombat tinha um humor sádico inigualável, que foi mal explorado nas continuações. O jogo, apesar do bom enredo, não tinha uma jogabilidade muito boa, o que o fez entrar em decadência em alguns anos, não mais fazendo frente a Street fighter, Fatal Fury, Samurai Shodown e outros grandes jogos de luta
Haviam também jogos de luta "beat'em up", estilo que misturavam elementos de plataforma à luta tradicional. A Capcom foi pioneira e dominou ambos os gêneros. Meu beat'em up favorito na época era o Captain Commando, que misturava ninjas, múmias, bebês que controlavam robôs e um protagonista que parecia uma mistura de Robocop e Capitão América cheio de truques.
Havia vida fora dos jogos de luta. Eu passei a curtir jogos de corrida a partir de 1994, com o lançamento de Daytona USA. Até hoje acho a sensação de velocidade do jogo uma coisa incrível. A música tema pode grudar na orelha por horas (Daytonnaaaaaaaa Daytonnaaaaaaaa...). Taí um jogo que só deve ser jogado no arcade e que perde metade da graça quando jogado em casa...
Os jogos de tiro com visão superior também eram muito viciantes. Adrenalina garantida para o jogador, em especial quando a tela se enchia de tiros dos inimigos e rolava aquele "slowdown" salvador. Até hoje não sei se isso era forçado ou se apenas a memória da máquina era muito limitada para tantos elementos na tela. Nesse quesito destaco três grandes franquias: Thunder Dragon, com ótima dinâmica de jogo; Raiden, com bom design retrô e Aero Fighters com grande opção de aviões e tiros para se escolher.
Ainda posso citar muitos ótimos jogos que curti na ápoca do fliperama, como Cadillacs & Dinasaurs, Mutant Fighter, Tekken 3, 19xx, The king of Fighters 96 e Killer Instinct, mas um jogo em especial merece o selo de garantia Inmetro de jogo mais viciante que conheci: com gráficos toscos, enredo idiota e som irritante, eu vos apresento... Thunder & Lightning!!!
Bem, o flipper morreu, mas todos esses jogos podem ser revistos. Emuladores como o Mame, o Final Burn e o NeoRageX são o que mais próximo se pode conhecer daqueles velhos jogos que representam o retrato de uma época: a mais legal da minha vida!
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