Uma coisa que raramente acontece nos filmes é a sequência ser melhor que o original. Com os games rola justamente o contrário. Novas tecnologias empatia com antigos personagens e fases e investimento mais gordo fazem com que a segunta parte de um game sejam tão mais esperados que a primeira. Com "Street Fighter", isso aconteceu de forma exagerada.
Já em meados da década de 1980, haviam jogos de luta "1 contra 1". O primeiro foi Victronics' Warrior, de 1979, seguido de Karate Champ, da DataEast e de Yie-Ar Kung Fu , da Konami. A Capcom, vendo o sucesso dos antecessores decidiu lançar seu próprio título. Em 1987, a empresa lança Street Fighter, um torneio entre 12 jogadores, dentre os quais, 2 são selecionáveis. O enredo não é melhor que "O Grande Dragão Branco" e muitos outros filmes do estilo: lutadores de vários estilos se enfrentando até encontrar um finalista fortaço e virtualmente invulnerável.
No papel, o jogo teria tudo para dar certo: gráficos bem trabalhados, com cenários super detalhados, vozes audíveis, grande variedade de golpes e estilos. O grande problema eram os controles irritantemente imprecisos: para se soltar um "hadouken", o principal golpe da série, era necessário sacudir violentamente o controle, apertar várias vezes o botão de soco e contar com a sorte, já que havia uma chance de aproximadamente 30% de sair algo decente
É facinho soltar um hadouken em SF1: baixo, dir, esq, dir, esq, cima, dir, esq, dir, esq, dir, esq (x12)+ 3 pulinhos + reza forte+ protocolo assinado pelo governador em 3 vias+ autorização dos pais+ soco (x5) O Jogo se dava ao luxo até de ter as amadas/odiadas fases de bônus, que serviam de descanso para os jogadores. Nada mais karatê: quebrar telhas sobre um suporte. Os personagens seguiam os esteriótipos de seus países, ou seja: punk ingês, ninja japonês, velho sábio chinês, etc, mas a frase da vitória de todos era invariavelmente a mesma: "You've got a lot to learn before you beat me. Try again, kiddo!". Em época de pouca memória para os jogos tudo foi economizado: só haviam 3 frases gravadas, os personagens eram pequenos e com poucos quadros de animação e não haviam finais individuais.
No entanto, se o jogo peca na jogabilidade e torna-se quase desconhecido do grande público, seu legado é impecável: ele dá origem a uma das mais lucrativas franquias dos games e ao mais cultuado jogo de luta de todos os tempos - Street Fighter II. Voltando à comparação com o cinema, o "Exteminador do Futuro" é um bom filme com efeitos especiais toscos, mas a saga ganhou muito com a sequência e o ciborgue de metal líquido. SF1 é um bom jogo com grande potencial, porém injogável. A Capcom percebeu que tinha um brilhante em estado bruto para ser lapidado e melhorou tudo o que pode. SF2 tinha gráficos impecáveis para a época, boas vozes digitais, movimentação perfeita, variedade de golpes e personagens e o principal: controle preciso.

O sucesso foi tão grande que, muito depois do lançamento das sequências, houve uma onda de curiosidade pelos títulos antigos. Street Fighter Zero, apesar do nome, se passa cronologicamente depois do um e antes do dois e reviveu os principais personagens do jogo original. A onda de revivals se intensificou e a Capcom lançou coletâneas de seus jogos antigos. Finalmente, gamers saudosos como eu teriam a chance de jogar Street Fighter em seus Playstations. Mas a decepção permanecia: Mesmo em consoles ultra modernos a jogabilidade permanecia sofrível... a Capcom perdeu uma grande chance de corrigir uma injustiça histórica...
Minha nota:
Gráficos (x2)
9,0
Som
7
Jogabilidade (x4)
3,5
Nota final
5,57/10
